Monday, April 30, 2018

O Crime do Século: Capítulo 2


    A partir deste momento eu assumirei a narração desta história, vocês não precisam saber meu nome verdadeiro, mas me chamem de Martin Luther King, sou o motorista de confiança da vereadora e faço parte do grupo que Tiradentes reuniu para o crime que entrará para a história.

    Não posso contar sobre nosso grande roubo sem antes contar sobre o dia que quase coloquei tudo a perder por uma falsa acusação. Naquele dia cheguei ao nosso local das reuniões secretas e chamei Tiradentes para ver o que passava na TV.

    _ Veja isto! Não posso acreditar no que vejo, eu sou inocente!!! _ Eu afirmava com as mãos em minha cabeça tentando explicar para Tiradentes o que estava acontecendo.

    _ Era o seu carro na cena do crime, você foi a última pessoa a estar naquele carro antes do crime, além de que você não tem um álibi. É óbvio que a polícia vai suspeitar de você. _ Respondeu Tiradentes tentando manter a calma.

    _ Temos que pegar o verdadeiro monstro que estuprou aquela menina de oito anos. Para mim isto é o que mais importa. _ Eu disse dando um soco na mesa de Tiradentes.

    _ É muito nobre de sua parte querer ajudar a polícia descobrir o verdadeiro culpado, mas minha função é apenas te livrar dessa suspeita da polícia, depois será trabalho deles desvendarem o restante do caso. _ Respondeu ele tentando me acalmar.

    _ Eu vou ligar para Vargas e ele será seu álibi, todos sabem que a palavra de um policial é mais confiável em uma investigação. Nem pense em ir ver a menina ou fazer algo que levante a suspeita da polícia. _ Disse ele olhando seriamente no fundo dos meus olhos e me fazendo lembrar tudo o que está em jogo.

    O primeiro passo da policia foi me interrogar, no intuito de me fazer cair em contradição e tentar conseguir uma confissão.

    _ Onde o senhor estava no dia do crime? _ Perguntou o policial.

    _ Eu estava com seu colega, estávamos tomando um café juntos quando ouvi alguém ligando meu carro e fugindo com ele. _ Respondi lembrando-me de tudo o que Tiradentes me disse para contar.

    _ Seu carro foi encontrado em um terreno abandonado próximo do local, as únicas impressões digitais encontradas foram as suas e as da vereadora e, de acordo com a vítima, o crime foi cometido por um homem. _ Respondeu o policial segurando sua arma para tentar me intimidar.

    _ Eu já disse tudo o que tinha para dizer. Se quiser alguma outra informação por que não pergunta ao seu parceiro? _ Disse ao policial sarcasticamente, antes de me retirar da sala do interrogatório.

    Naquele momento decidi investigar o caso por conta própria, indo contra tudo o que Tiradentes havia me dito, mas eu precisava de certa forma vingar o que aconteceu com a pobre menina.

    A única pessoa do grupo que aceitou me ajudar foi princesa Isabel, que convivia comigo diariamente na câmara e podia investigar possíveis suspeitos, alguém que também tivesse acesso à chave do carro, visto que ele não possuía sinais de arrombamento ou ligação direta.

    Os únicos que possuíam acesso à cópia dessa chave eram a vereadora, o prefeito do Rio de Janeiro e o governador, facilitando nossas buscas por pistas.

    Logo saiu o resultado de DNA do corpo de delito feito na menina, o que me levou a ser considerado inocente quando aceitei retirar um pouco de meu sangue para provar minha inocência.

    A polícia decidiu com isso arquivar o caso, por não haver mais suspeitos, no veredito foi concluído que alguém roubou meu carro enquanto eu estava na cafeteria com Vargas e utilizou-o para cometer o estupro.

    De fato a polícia estava certa quanto a isto, mas eu estava disposto a descobrir qual dos meus dois suspeitos havia cometido tal atrocidade, comecei então pelo governador.

    _ Prazer governador. Como vão as coisas? O senhor parece meio preocupado com algo. _ Perguntei a ele na porta de sua casa.

    _ É um prazer sua visita. Sim, estou preocupado com uma coisa, mas agora com a conclusão da polícia arquivando o caso estou mais tranquilo. _ Respondeu ele segurando meu ombro e sorrindo.

    _ Você sabe quem poderia ter feito isso? _ Perguntei imaginando uma resposta sarcástica do possível culpado.

    _ Foi uma infelicidade para aquela menina, mas agora isso já é passado. _ Respondeu ele completamente tranquilo.

    _ Eu acho que foi você que estuprou aquela menina. Confessa para que eu possa acabar com você. _ Eu disse segurando-o pelo colarinho, pronto para soca-lo até que ele perdesse a consciência.

    _ Como você pode me acusar disto? Estamos juntos no mesmo barco esqueceu? Se você cair eu caio também. _ Respondeu ele furioso me empurrando.

    Naquele momento me lembrei dos esquemas de corrupção e desvio de verba pública que eu estava envolvido com o governador e como eu poderia coloca-lo na prisão se eu fosse preso.

    _ Então se não foi você eu sei quem foi. Desculpa pelo incômodo. _ Me desculpei arrumando a camisa do governador e discretamente retirando um fio de cabelo dele que havia em sua camisa.

    _ Jamais me acuse de nada! Eu posso não ser honesto, mas lembre-se que você também não é. _ Respondeu voltando para dentro de sua casa e batendo a porta na minha frente.

    Saindo de lá fui diretamente para a casa do prefeito, uma grande mansão na verdade, construída com todo o dinheiro público que ele foi capaz de desviar. A vereadora me contou que o prefeito estava bem alterado hoje e quase não falou com ninguém.

    _ Olá prefeito, é um prazer estar na presença de um estuprador pedófilo. _ Disse sarcasticamente como se zombasse da impunidade do prefeito.

    _ Como sabe que fui eu? Você não tem provas, testemunhas ou qualquer coisa que possa me culpar. _ Respondeu ele ligeiramente ansioso com minha acusação.

    _ Vou provar que você é o culpado. Você foi bem cuidadoso em seu plano, roubou o carro com a chave reserva que te dei quando me tornei seu motorista também, sem precisar arrombar a porta ou fazer ligação direta. Você usou luvas para que suas digitais não estivessem no carro. _ Comecei a explicar a ele como descobri todo o seu plano.

    _ Você não tem como provar isso. _ Respondeu ele tentando fechar a porta, mas foi interrompido pelo meu sapato que estava na frente.

    _ Espere, eu ainda não terminei. Eu havia acaba de entregar a chave reserva para o governador um dia antes, ou seja, ele ainda não havia entrado no carro e por isso não havia digitais, já você com a desculpa de possuir misofobia sempre carregava um lenço com você e limpava tudo o que tocava dentro do carro, por isso não havia digitais suas no carro. _ Terminei de contar o plano, desmascarando o prefeito.

    _ Eu confesso, agora não faz mais diferença, o caso foi arquivado mesmo. _ Disse ele rindo depois da minha explicação.

    _ O que um merda como você pode fazer? Contar para a polícia? A polícia não vai acreditar em você sem provas, seria a sua palavra contra a minha e eu posso pagar ótimos advogados para me defenderem. _ Completou ele.

    _ Eu vou te colocar na cadeia, nem que para isso eu tenha que acabar com você e levar o que sobrar de você arrastado até a delegacia. _ Eu disse enquanto fechava os punhos e um ódio indescritível começava a me consumir.

    Começamos a brigar, diversos socos e golpes no rosto do prefeito mancharam minhas roupas com seu sangue, confesso que também apanhei um pouco, mas ates que a briga terminasse e o prefeito fosse até a delegacia para me acusar de agressão ele ainda disse algumas coisas que me ofenderam muito.

    _ Você é um merdinha de um motorista negro que deu muita sorte de sair da sua favela com sua família morta de fome, a vereadora só te contratou por ela ser negra e lutar contra o racismo. _ Disse ele cuspindo no meu rosto.

    _ Então além de estuprador, pedófilo, corrupto você ainda é racista? _ Perguntei indignado com o que estava ouvindo e limpando aquela saliva de meu rosto.

    _ O que você vai fazer sobre isso? Seu macaco vai correndo pro IBAMA e me processa por maus tratos aos animais. _ Disse ele enquanto gargalhava.

    _ Agora isso virou pessoal, não vou te levar a delegacia e sim a um cemitério seu verme. _ Respondi socando ele diversas vezes no rosto.

    Antes que eu terminasse de matar o prefeito a polícia chegou, acionada pelos vizinhos e nos levou a delegacia. Chegando lá O prefeito logo começou a mentir e contar sua parte fictícia da história.

    _ Este louco está me agredindo sem nenhuma causa aparente, provavelmente deve estar drogado ou bêbado. _ Disse ele ao policial.

    _ Você até poderia acreditar nele se eu não tivesse provas concretas dos crimes que ele cometeu. _ Eu disse sorrindo retirando o gravador de meu bolso, o mesmo que gravou todos os ataques racistas do prefeito contra mim.

    Por ironia, ou não, o policial que nos interrogava também era negro e logo deu um soco no prefeito e disse que ele iria apodrecer na cadeia.

    _ Ainda não acabei. Ele também foi o estuprador da menina de oito anos na semana passada e este sangue em minhas roupas pode provar isto. _ Disse retirando a camisa e entregando para a perícia analisar.

    Naquela mesma noite a polícia confirmou que o prefeito havia sido o estuprador e logo o prendeu, sem direito a fiança, não apenas pelo crime de estupro e pedofilia, mas também pelo crime de racismo.

    Depois de todo ocorrido e o término do caso vou ao encontro de Tiradentes na mesma cafeteria do dia do crime, visto que a polícia ainda podia estar vigiando nossos movimentos.

    _ Você ficou louco? Você sabia que você podia estar preso agora por agredir um prefeito e um governador. Se a polícia não tivesse chego na hora você o teria matado. _ Disse Tiradentes olhando muito sério para mim, como se estivesse perguntando o que eu tenho na cabeça para fazer algo tão arriscado.

    _ Eu apenas fiz a coisa certa, agora aquele monstro terá o que merece na prisão. _ Respondi firmemente convicto do que dizia.

    _ Eu admiro o que você fez, sua coragem colocou o prefeito atrás das grades, mas da próxima vez não banca o herói, você sabe muito bem tudo o que está em jogo aqui. _ Tiradentes me disse com um sorriso discreto e me abraçando.

    Enquanto isso, na prisão o prefeito era incessantemente estuprado e violentado todos os dias pelos 17 presos que dividiam a sela com ele.

    _ Agora é minha vez de foder com esta vadia. _ Dizia um dos presos gargalhando.

    _ O segurem. _ Disse o preso pegando um chinelo.

    _ Vamos garantir que quando ele sair daqui não fará mal a mais ninguém. _ Disse o preso dando diversas chineladas no pênis do prefeito, com tanta força que começou a sangrar e o sangue escorria pelo chão da sela.

    Fiquei sabendo quando saiu a notícia na TV que o prefeito teria morrido por hemorragia depois de tal ocorrido. Com isso voltamos ao nosso planejamento do maior roubo da história.

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