Monday, March 5, 2018

Tal pai, tal filho

Quando eu contar o que fiz aqui muitos irão me criticar e até me chamar de monstro, mas antes permitam-me contar tudo o que aconteceu e me levou a isso.

A princípio parecíamos uma família normal, porém sempre tivemos que esconder a realidade obscura do meu pai, que sempre foi viciado em jogos de azar, imaginando como ele poderia ficar rico fácil como apostador, no entanto sua dívida dos jogos crescia a cada dia.

Em uma noite qualquer meu pai me acorda dizendo que tínhamos que mudar de casa ainda naquela noite e que o motivo seria complicado demais para explicar, hoje sei que outros apostadores aos quais meu pai devia uma fortuna queriam matá-lo se ele não pagasse.

No início pensei que com a mudança nossa vida poderia ser diferente, mas infelizmente nada mudou e meu pai continuou frequentando esses "fliperamas" que era como ele chamava esses lugares, esse nome nunca chamou a atenção da polícia, por ser proibida a prática de jogos de azar no Brasil ele criou esse apelido aos lugares que ele frequentava.

_ Eu acho que vou ter que te ensinar como se joga pôquer de verdade. _ Disse meu pai sorrindo.

_ Eu não estaria tão confiante assim se fosse você. _ Respondeu outro jogador.

_ Eu aposto tudo o que eu tenho que ganho essa de você. _ Disse meu pai empurrando todas as suas fichas para o centro da mesa.

_ Eu pago para ver, aposto que você só está blefando. _ Respondeu o jogador enquanto todos os outros da mesa desistiram.

_ Eu aposto que você não ganha do meu Flush!!! _ Disse meu pai estendendo os braços sobre a mesa para pegar as fichas.

_ Espere, eu ainda não mostrei meu Full House!!! _ Respondeu o outro jogador acabando com a alegria de meu pai.

_ Não pode ser, eu acabei de perder todo o meu dinheiro. Preciso de mais fichas para recuperar meu dinheiro!!! _ Disse meu pai pedindo mais fichas para o caixa do lugar.

_ Meu senhor, você não tem mais dinheiro para pagar por mais fichas, seu cartão acabou de ser recusado. _ Disse o caixa.

_ Mas como isso é possível? Eu quase nem gastei hoje! _ Disse meu pai antes de sair indignado do lugar com as mãos abanando.

Naquela noite quando meu pai chegou em casa descontou toda a sua raiva em minha mãe, que apenas tentava convencê-lo de deixar essa vida e começar a trabalhar e assumir suas responsabilidades como pai.

_ Minhas responsabilidades como pai? Se meu filho quiser alguma coisa ELE QUE VÁ TRABALHAR!!! _ Gritou meu pai enquanto eu ouvia a discussão pela porta do quarto.

Sinceramente jamais pensei que meu pai diria uma coisa dessas para um filho com 13 anos de idade, mas também não me lembro de ter pedido para aquele traste ser meu pai.

_ Ainda não sei por que me casei com você. Eu sempre tive que pagar todas as contas sozinha, além do fato de você nunca se importar com nosso filho. Você ainda lembra do último dia dos pais que ele te deu uma caneca de presente, você deu a caneca em troca de fichas no seu joguinho idiota. _ Disse minha mãe furiosa.

_ Era só uma caneca. Eu não preciso de caneca nenhuma com tanto copo em casa. _ Respondeu aquele que um dia já chamei de pai.

_ O que importava não era a caneca, mas sim um pouco de gratidão pelo amor que nosso filho ainda sente de você, no entanto percebi que você jamais sentiu o mesmo por ele. _ Respondeu ela decepcionada com ele.

_ Ou você muda suas atitudes ou você não vai mais morar aqui, eu quero divórcio. _ Disse ela batendo a porta do quarto deles na frente do meu pai.

Eu nem sei por quantas horas fiquei chorando em minha cama, pensando em tudo o que meu pai havia dito. Sei que ele me decepcionou durante toda a minha vida, mas pensei que pelo amor que talvez ele sentisse por mim faria ele mudar, hoje sei que estava enganado.

Depois de planejar minha vingança contra meu pai decidi segui-lo até o local que ele frequentava, lá pude ver o que o vício é capaz de fazer com alguém.

_ Você aqui novamente? Pensei que estava falido. _ Disse um dos homens zombando de meu pai.

_ Eu quero uma revanche. _ Disse o meu pai.

_ Você não tem mais o que apostar. _ Respondeu o homem.

_ Minha esposa está querendo se divorciar e metade daquela casa é minha, assim mesmo que eu perdesse teria como te pagar. _ Disse meu pai enquanto convencia o homem de lhe dar algumas fichas.

Eu fiz questão de gravar enquanto meu pai jogava, em momento algum ele percebeu minha presença, tive que gravar discretamente, pois além de meu pai aqueles homens poderiam me espancar se descobrissem que estava gravando algo que por lei é considerado crime.

A situação do meu pai se agravou ainda mais, porque ele perdeu novamente e agora além de estar falido ainda estava devendo uma fortuna para aquele homem.

_ Agora eu quero o meu dinheiro. Ou você me paga ou eu mesmo vou arrancar sua cabeça. _ Disse o homem agarrando o pescoço do meu pai e olhando diretamente em seus olhos.

Quando cheguei em casa mostrei o vídeo para a minha mãe que no mesmo dia pôs meu pai para fora de casa, que sem um lugar para ir se hospedou em um hotel barato perto daqui.

_ Você é o homem que Carlos está devendo? _ Perguntei ao homem da noite passada que estava na porta daquele lugar fumando um cigarro.

_ Como você sabe disso? Ele que te mandou aqui? _ Perguntou ele confuso.

_ Não, eu estou aqui para te alertar que ele nunca vai te pagar. _ Respondi com firmeza na voz para não demonstrar medo perante um homem daquele tamanho.

_ E como um pirralho como você poderia saber disso? _ Perguntou ele rindo de mim.

_ Ontem eu entrei aqui escondido e gravei todo o jogo de vocês e poderia muito bem mostrar para a polícia. Nem pense em fazer algo comigo, pois tenho cópias do vídeo espalhadas com pessoas de minha confiança. _ Disse a ele vendo sua feição mudar completamente.

_ Eu quero lhe propor um acordo. Eu ouvi quando você disse ao Carlos: ou o dinheiro ou a cabeça. Eu sei onde ele está e eu quero tanto quanto você que ele seja morto. _ Disse com um sorriso sarcástico, algo muito estranho para um jovem de apenas treze anos.

_ O que ele te fez para você querer tanto a sua morte? _ Perguntou ele, ainda sem acreditar na seriedade de minha proposta.

_ Ele sempre desgraçou a minha vida e a da minha mãe, fico triste por ter que tomar essa decisão, mas no fundo acho que vou até me divertir com isso. Alguns vermes como ele precisam ser exterminados. _ Respondi tirando o cigarro de suas mãos e tragando aquela fumaça tóxica para dentro de meus pulmões.

_ Então qual é o acordo garoto? _ Ele perguntou ansioso para o serviço.

_ Eu te levo onde ele está hospedado, você chama ele para dar uma volta e quando ele entrar no carro apagamos ele e levamos para algum lugar da sua escolha para mata-lo. _ Eu disse entre as tragadas do cigarro.

_ Seus pais te deixam fumar assim? _ Ele perguntou estranhando me ver fumar com tanta naturalidade, vendo que eu já fazia aquilo há muito tempo.

_ Como eu disse, meu pai jamais se importou comigo, eu simplesmente faço o que eu quiser. _ Respondi ironicamente.

_ E o que eu ganho matando ele? _ Perguntou o homem.

_ Você mata ele e eu deleto na sua frente todas as cópias do vídeo. Além de ser sua única forma de se vingar dele. _ Respondi estendendo a mão. _ Então temos um acordo? Mas eu quero presenciar o assassinato.

_ Você é realmente muito cruel com seu próprio pai, mas eu topo. _ Respondeu o homem apertando minha mão.

Dois dias depois de nossa conversa eu levo aquele homem ao hotel onde meu pai estava e tudo sai de acordo com o plano. Mais tarde naquele mesmo dia ele acorda em um quarto escuro tentando entender o que estava acontecendo.

O homem saiu do escuro com uma faca em sua mão enquanto meu pai tentava gritar por ajuda, porém em vão, devido a localidade isolada do lugar que estávamos.

_ Eu prometo que vou te pagar. _ Disse meu pai.

_ Não quero mais o seu dinheiro, alguém ofereceu um preço maior pela sua morte. _ Respondeu o homem apontando para uma cadeira no fim da sala em meio a escuridão que era fracamente iluminada por uma única lâmpada velha.

_ Isso mesmo pai, se é que eu devo te chamar assim. _ Eu disse me aproximando da cadeira que ele estava amarrado.

_ Nunca pensei que você fosse capaz de fazer uma coisa dessas com o seu próprio pai. _ Disse ele enquanto uma lágrima escorria por seu rosto.

_ E daí que você é meu pai de sangue, isso é apenas simbólico, assim como a sua antiga caneca, eu não preciso de você. Para mim você é facilmente descartável. _ Respondi pegando a faca da mão do homem.

Com aquela faca o apunhalei diversas vezes enquanto ele gritava por piedade, mesmo ele de certa forma sendo meu pai ainda sim senti uma sede insaciável por sangue, era como se aquilo fosse a coisa mais prazerosa que já senti na vida.

Entre as facadas eu abri um buraco em seu peito e arranquei seu coração ainda batendo, lambi todo o sangue que escorria pela lâmina, mordi um pedaço do coração e o resto fiz aquele monstro engolir a força enquanto seus olhos terminavam de fechar.

Aquele homem que me ajudou no crime não esperava que eu fosse tão cruel assim, muito menos que eu o mataria também para culpa-lo pela morte do meu pai.

Quando a polícia chegou no local do crime os dois estavam mortos caídos no chão, eu aleguei que vi o homem matar meu pai de forma brutal diante de meus olhos, consegui reagir e matei o homem em legítima defesa.

Pena que eles não acreditaram em minha versão e logo descobriram toda a verdade. Hoje estou nesta clínica psiquiátrica, as pessoas pensam que sou um monstro por ter feito o que fiz, mas eu não sou, ele era o verdadeiro monstro por ter me deixado assim.

Foi assim que tudo aconteceu e com isso encerro minha carta de desculpas para minha mãe. Espero que assim ela entenda meus motivos e me perdoe por minhas escolhas. Eu só queria que meu pai me amasse mais do que amava o vício e a ganância dele.

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