Sunday, September 30, 2018

Demônio da Depressão capítulo 4: Amor de Mãe


    _ Filha? Onde você está? _ Dona Rosa perguntava enquanto me procurava pela casa.

    Chegando na cozinha ela encontra sobre a mesa uma cartela vazia de remédios ao lado de minha carta. Aquelas eram minhas últimas palavras depois da briga que tivemos pouco antes naquele mesmo dia.

    Mas antes que eu diga o que escrevi na carta preciso contar a quem estiver lendo isto tudo o que eu passei na minha vida que me fez tomar esta decisão.

    Meu pesadelo que muitos chamam de vida começou antes mesmo de nascer, com meu pai alcoólatra e minha mãe... QUERIDA MAMÃE... Extremamente ciumenta, não que eu a culpe por isso, a culpa na verdade sempre foi do meu pai que jamais a respeitou, fidelidade não era uma qualidade dele.

    Meu pai foi embora de nossas vidas antes mesmo de me conhecer. Em uma das discussões minha mãe jogou uma pedra nele, que sob efeito do álcool correu atrás dela grávida prometendo matar nós duas naquele mesmo dia.

    Ela pulou pela janela e correu para a casa da minha avó e passou a noite longe daquele monstro que já havia a feito perder outro filho em outra triste ocasião.

    Aquela foi a última vez que eles brigaram antes dele sair pela porta de casa para nunca mais voltar, às vezes me pergunto como seria ter um pai presente, ou ao menos um que não tentasse matar a própria filha depois de uma briga com a esposa. Pena que esta história está apenas no começo.

    Depois que nasci o terror nas nossas vidas começou, pois minha mãe estava sozinha com uma filha recém-nascida nos braços, desempregada e sem dinheiro. Ela se viu obrigada a ir para a casa da minha tia, onde passei metade de minha vida.

    Ao menos tenho algumas boas recordações dessa época, minha tia praticamente me adotou e me dava tudo o que eu precisasse, enquanto minha mãe trabalhava de todas as formas que era capaz para me sustentar.

    Já meu pai, seja lá onde estiver, saiba que uma criança sente a falta de um pai, mesmo que ele nunca tenha ligado para pelo menos saber se estou viva. Eu digo isso chorando enquanto lembro cada abraço que meus colegas da escola recebiam dos seus pais quando eles chegavam para busca-los após as aulas.

    Os anos foram passando e eu fui crescendo, confesso que aprontei muito na infância o que fazia com que minha mãe perdesse a paciência e me batesse. Ela sempre foi uma mulher muito estressada, mas sempre lutou com todas as suas forças para me proporcionar uma vida melhor do que a que ela teve.

    Talvez você que está lendo isto ainda não entenda a razão da minha mãe ter transformado minha vida em um verdadeiro inferno, mas é neste momento que as coisas mudaram completamente.

    Ela conheceu um homem que posteriormente se tornou meu padrasto. Ela deixou se levar pelas suas promessas de uma vida melhor, enquanto eu estava feliz com a ideia de que finalmente eu teria um pai, finalmente um sonho realizado.

    Mal sabíamos que aquele homem era um lobo em pele de cordeiro. Um velho 20 anos mais velho que minha própria mãe transformou minha vida em um pesadelo que eu não era capaz de despertar.

    Assim como meu “verdadeiro pai” ele também começou a brigar com a minha mãe. Em uma dessas brigas meu instinto protetor me fez entrar na frente dele para impedir que ele a agredisse.

    Ele me agarrou pelo pescoço e começou a me sufocar, acho que se não fosse pela minha mãe talvez eu não tivesse passado daquela noite. Por vingança abri seu guarda roupas e cortei todas as suas camisas, esperava que assim ele aprendesse a lição.

    Aos 8 anos de idade ele fez algo que jamais esquecerei, minha mãe havia saído e me deixado a sós com ele. Eu estava na cozinha quando ele chegou com o zíper da calça aberto querendo “um abraço”, mesmo nessa idade eu já sabia de alguma forma que aquilo não estava certo e neguei por diversas vezes.

    Ele começou a correr atrás de mim pela casa, eu estava desesperada, pois sabia que algo horrível iria acontecer e não havia ninguém para me ajudar. Fui abraçada a força enquanto gritava e me debatia, mas ele só ficava me cheirando e me mandando ficar quieta.

    Por Deus alguém bateu na porta naquela mesma hora, o que o fez me soltar. Chorando e completamente aterrorizada eu corri para o meu quarto e me tranquei até que a minha mãe chegasse.

    No entanto minha mãe não acreditou em nada do que eu disse, ele já havia a cegado a ponto dela ficar do lado dele ao invés da própria filha que ela tanto dizia que amava.

    Um ano após o ocorrido o cunhado daquele pedófilo veio nos visitar, assim como ele havia feito esse homem também abusou de mim. Mesmo criança eu já estava começando a desenvolver meu próprio corpo e ele se aproveitou para pegar em meus seios. Ele me vendo assustada coma situação apenas disse em meu ouvido:

    _ Esse será nosso segredinho. Gracinha!

    Para variar novamente minha mãe não acreditou em mim, infelizmente isso é uma coisa que jamais saiu da minha mente e me atormenta até hoje, entretanto isto ainda estava muito longe de terminar.

    Essa é a parte da história que mais um personagem entra, meu querido irmão caçula. Ninguém pode imaginar o que esse menino me fez passar. Minha mãe engravidou daquele velho e dessa gravidez nasceu Gabriel, que para minha mãe era o filho perfeito.

    Depois que ele nasceu minha mãe que já era extremamente agressiva comigo passou a me maltratar ainda mais, eu sentia como se ela não se importasse mais comigo, isso me destruía por dentro.

    Quando eu completei 10 anos as coisas pioraram ainda mais, além de tudo o que eu já havia passado com a minha mãe, agora ela estava com câncer de mama. Na cabeça de uma criança de 10 anos, sem pai, com um padrasto louco e que poderia tentar algo novamente a qualquer momento e principalmente com uma mãe doida e agressiva, mas que eu amava e pensava que iria perdê-la.

    Com o medo de ficar sozinha no mundo acabei entrando em depressão, foi quando o vi pela primeira vez. Aquele demônio com aquelas garras e aquele sorriso doentio que me fez congelar sentada em minha cama.

     _ Olá doce menina! _ Disse ele se aproximando e saindo de dentro da escuridão que tomava conta do meu quarto naquela noite.

     _ Quem é você? _ Perguntei tentando me esconder embaixo da coberta.

     _ Você ainda não me conhece, então permita-me que eu me apresente. EU SOU O DEMÔNIO DA DEPRESSÃO!!! _ Disse ele antes de começar a gargalhar.

     _ Por que você está aqui? O que quer de mim? _ Eu disse chorando completamente assustada.

     _ Não tenha medo garota, foi você mesma que me chamou. Você estava triste com medo de ficar sozinha, agora vou te fazer companhia pelo resto de seus dias. _ Disse ele passando uma de suas garras pelo meu cabelo.

     _ Eu não quero sua companhia. Eu tenho medo de você. _ Eu disse me afastando dele, que agora já estava sentado comigo na cama.

     _ Agora é tarde demais minha princesa! NÃO TEM COMO SE LIVRAR DE MIM!!! _ Gritou ele sorrindo e mostrando seus dentes que agora mais pareciam enormes espinhos prontos para dilacerarem minha carne.

     _ MAMÃE!!! _ Eu gritava desesperada esperando pelo pior, imaginando o que aquele monstro estava prestes a fazer comigo.

     Nessa hora minha mãe entrou pela porta do quarto e me abraçou. Com a luz invadindo o meu quarto aquela criatura desapareceu junto com o resto da escuridão.

      _ O que houve filha? Por que essa gritaria toda? _ Ela perguntou enxugando minhas lágrimas.

      _ Eu vi um monstro aqui no quarto! Ele queria me pegar. _ Eu disse abraçando-a ainda mais forte.

      _ Foi apenas um pesadelo filha. Não tenha medo de monstro nenhum, eu estou aqui para te proteger. _ Disse ela me acalmando.

      _ Mas até quando eu vou ter você? Eu tenho medo de te perder, você é a única pessoa que eu tenho nesse mundo. _ Eu disse voltando a chorar.

      _ Eu não vou a lugar algum. Eu te prometo que vou lutar com todas as forças e vou vencer o meu câncer. Além de que agora você também tem seu irmão. _ Disse ela começando a chorar também.

       Depois daquela noite as visitas daquele demônio passaram a ser frequentes, eu me trancava no quarto e começava a chorar, pois sabia que já sofria tanto com a minha mãe, sem então eu não aguentaria mais. Isto estava alimentando cada vez mais ele.

     _ Você sabe que sua mãe logo estará morta e ninguém mais poderá te proteger de mim. _ Dizia ele como se estivesse se alimentando e se tornando mais forte a cada lágrima que escorria por meu rosto.

    Conforme o tempo foi passando minha mãe foi fazendo o tratamento, ela parecia cada vez pior e mesmo assim EU sempre cuidei dela. Os cabelos dela foram caindo quase ao ponto de não ter mais cabelos para pentear, mesmo assim eu sempre disse como ela era a mulher mais linda do mundo.

    Eu rezei tanto para Deus cuidar da minha mãe, mesmo com aquele demônio me dizendo que eu só estava perdendo o meu tempo e que minha mãe não sobreviveria.

    Minha mãe sofreu muito, mas superou o câncer e com sua recuperação ela pode ter sua vida de volta. Enquanto minha mãe estava com o câncer eu morei na casa da minha tia, onde eu fui a empregada da casa durante 6 anos.

    Na casa da minha tia eu sempre fui tratada como uma filha, mas aquilo mais parecia uma prisão, nunca tive a liberdade nem ao menos para sair com meus amigos, pois ela tinha medo de que eu fizesse algo errado.

    Foi nesse momento que eu tive que fazer uma escolha, ficar na casa da minha tia, continuar presa e obediente como uma gata borralheira, ou voltar para a casa da minha mãe, onde agora vivia a família perfeita, visto que agora a ovelha negra aqui não fazia mais parte.

    Em resumo vou daqui direto a parte que realmente interessa o que realmente me fez querer morrer. Sei que vão dizer que o suicídio jamais é a solução, mas agora já é tarde para voltar atrás.

    Na véspera de um feriado eu estava em casa quando minha mãe começa mais uma discussão, como sempre por uma razão qualquer. Após a discussão ela sai de casa e eu me tranco em meu quarto.

    _ Como eu disse. Você é incapaz de viver sem mim. _ Disse aquele demônio reaparecendo em minha vida.

    _ Pensei que tivesse me livrado de você. _ Eu respondi enxugando minhas lágrimas.

    _ Você jamais foi feliz, eu te acompanhei por toda a sua vida. _ Ele disse.

    _ Eu já fui feliz. _ Eu disse empurrando ele para longe.

    _ Sério? Quando? Quando seu primeiro namoradinho te traiu e a própria amante dele veio te contar? Ou quando você finalmente se cansou de morar com a sua tia e ser humilhada diariamente. O que foi mesmo que ela te disse: Você vai arrumar um filho com um vagabundo qualquer por ai e nunca será ninguém na vida. Isto é o que você chama de felicidade? _ Disse ele zombando de tudo o que havia passado em minha vida.

    _ Minha mãe superou o câncer, você sempre me disse que ela morreria a qualquer momento. _ Eu respondi agora chorando sem controle algum de minhas emoções, eu apenas queria que aquela dor acabasse.

    _ Não sei por que você está tão feliz com isso. Não foi ela mesma que te expulsou de casa quando você perdeu sua virgindade? Não se faça de santa. _Dizia ele me colocando contra a minha mãe.

    _ Sai daqui agora!!! Eu só quero acabar com toda essa dor. _ Eu disse com as mãos na cabeça em completo desespero, talvez ali começasse mais uma de minhas crises de ansiedade.

    _ Eu sei exatamente no que está pensando. Seu namoradinho de São Paulo não vai te salvar de mim, não importa o quanto ele tente. Acredite em mim quando eu digo que o conheço muito bem. Também o visito às vezes. _Disse ele tentando tomar meu celular de minhas mãos.

    _ Por favor me atende. Eu não estou suportando mais. Ajude-me pelo amor de Deus. _ Eu dizia nas mensagens enquanto o demônio ria ao ver que ele não me respondia.

    _ Você realmente confia nesse garoto? Confia de que céus e terra que ele te prometeu são de verdade? _ Ele disse sorrindo e começando a passar aquelas garras lentamente pelo meu corpo.

    _ Eu confio nele!!! _ Eu respondi.

    _ Ele vai fazer a mesma coisa que todos os seus ex-namorados fizeram, pois como sua própria mãe havia dito que você não passa de uma prostituta. Você jamais realizará os seus sonhos. _ Ele disse começando a se irritar.

    _ Eu ainda vou realizar meu maior sonho e você não vai me impedir. _Eu disse me negando a ceder ao que ele queria que eu fizesse.

    _ Você jamais saberá o que é ser mãe. Você sabe que precisará de tratamento para conseguir e nunca vai possuir dinheiro o bastante para isso. Você sabe que ninguém realmente se importa com você. Eu sou sua única companhia até a hora de sua morte. _ Disse ele destruindo minhas últimas esperanças de ser feliz algum dia.

    Agora voltamos ao início da história, onde minha mãe encontra a carta ao lado da cartela de remédios. Na carta eu escrevi:

    “Desculpa mãe, por não ser sua filha perfeita, por não ser filha daquele pedófilo que você tanto ama, por não ser mais virgem até o casamento, por ser a culpada de todas as brigas dentro de casa, por não simplesmente te obedecer em todas as vezes que você tenta controlar minha vida como se eu ainda tivesse apenas 5 anos. Não aguento mais toda essa humilhação, eu sei que sou a causa de todos os problemas da sua vida, não precisa esfregar isso na minha cara. Agora sem mim você finalmente poderá ser feliz ao lado da sua família perfeita a qual eu nunca fiz parte. ADEUS MÃE”

    Minha mãe terminou de ler a carta aos prantos, mas o sentimento de culpa, junto ao do remorso a impediu de ir atrás de mim. Ela de certa forma sentia vergonha do que fez a filha passar.

    Por Deus minha amiga me liga na hora e percebe o estado que eu me encontro. Desesperada ela me leva ao hospital aonde eu cheguei já quase desmaiando.

    Médicos estavam por toda parte, com equipamentos ao meu redor, para medir os batimentos, pressão, entre outras coisas para tentar me salvar. A pior parte foi quando um dos médicos tentou me fazer engolir uma espécie de cano para ter acesso direto ao meu estômago.

    Já sem ar e começando a entrar em desespero eu mesma puxei o cano e feri minha laringe, o que me fez começar a vomitar sangue. Sinceramente nem sei mais se naquele momento eu ainda preferia morrer ao continuar aquele sofrimento.

    Depois disso fui levada a um outro quarto onde fiquei me recuperando do procedimento, mas antes que eu saísse da presença dos médicos eu pude ver aquele demônio na porta. Ele apenas sorriu e desapareceu.

    Mais tarde naquela mesma noite já na casa da minha amiga eu recebo uma ligação.

    _ Amor. Você está bem? Conte-me o que aconteceu? Por favor, me diz que você não fez nenhuma besteira. _ Disse ele desesperado no telefone.

    _ Calma amor, a pior parte já passou. Hoje eu briguei novamente com a minha mãe e tentei me matar, minha amiga me salvou. _ Eu respondi tentando explicar o que aconteceu.

    _ Meu Deus. Eu estou sem reação, não sei nem o que dizer. _ Ele disse tentando aceitar que quase perde o amor de sua vida.

    Eu mandei a foto do meu pulso e o que aquele demônio me fez fazer, minha dor no pulso não chegou perto da dor que senti em meu coração, mas agora eu me sentia melhor ao lado da minha amiga e do desesperado do meu namorado.

    Passei o fim de semana na casa dela e no domingo voltei para casa e fiz as pazes com a minha mãe, depois disso tudo ela parecia um pouco mais compreensiva e passamos a nos entender.

    Uma semana depois da minha tentativa de suicídio minha mãe começa a passar muito mal e eu a levo para o hospital.

    Chegando lá ela começa a ficar cada vez pior e os médicos parecem não saber mais o que fazer.

    Naquele momento eu o vi novamente, mas esta foi a pior de todas as vezes. Com ódio no olhar ele atravessou uma de suas garras no coração da minha mãe que de certa forma apenas aceitou que ele a levasse.

    Apenas eu o via e os médicos acreditaram com foi um  infarto que a tirou de mim. Eu apenas gritava feito louca com ele.

    _ POR QUÊ? O QUE ELA FEZ PARA MERECER ISTO?

    _ Quem você acha que realmente salvou sua vida? Ao ler a sua carta ela entrou em desespero e eu apareci. Sua mãe ofereceu a vida dela pela sua. Por isso não te levei comigo aquela noite.

    _ Eu quero minha mãe de volta!!! _ Eu chorava desesperada abraçada com o corpo dela no chão.

    _ Agora é tarde, mas você agora sabe que ela realmente te amava e foi o amor de mãe dela por você que te salvou. _ Foram suas últimas palavras antes de sumir para sempre da minha vida.

    Hoje eu tenho 25 anos e ainda me lembro do que minha mãe fez por mim, agora eu sou mãe também e prometi a mim mesma que se for preciso eu também dou a minha vida pela de minha filha. Agora eu sei o que realmente significa o amor de mãe.

Sunday, August 19, 2018

Curupira: O demônio da floresta

      Nunca nos preocupamos com nossas florestas, exploramos cada vez mais os recursos naturais e agora a floresta está se vingando de nós. A lenda diz que ele é um demônio que vive nas florestas evitando que nós a destruamos.

      Acho que a crueldade humana com natureza se tornou tão grande que Deus talvez tenha permitido que um dos demônios saísse do inferno para nos atormentar.

    No começo éramos em 15 trabalhadores, estávamos ilegalmente desmatando a floresta amazônica quando encontramos uma tribo indígena que nos alertou sobre o demônio que habita a região.


   _ Vocês não sabem o perigo que estão correndo destruindo este lugar. _ Disse o cacique me olhando como se estivesse implorando.

     _ Muitos além de nós devastam este lugar, você não pode nos impedir, todas essas árvores nos renderão uma fortuna. _ Respondi com uma voz firme, mostrando autoridade perante o que ele dizia.

       _ Ele vai matar todos vocês, ninguém jamais sobreviveu na presença dele. _ Disse o cacique me segurando em meus ombros e olhando diretamente no fundo dos meus olhos.

      _ Você está falando do curupira? Isto é apenas folclore. Ninguém acredita em seres que habitam a floresta protegendo-a. _ Respondi rindo da preocupação do cacique.

     Depois de nossa conversa mandei que destruíssem a tribo e matassem todos os índios, para que não houvessem testemunhas da nossa presença neste lugar. Porém, antes que cortassem sua cabeça com um machado o cacique me disse algo em sua língua que não pude entender e depois completou:

   _ Agora vocês estão todos amaldiçoados. Jamais conseguirão sair dessa floresta, seus corpos nunca serão encontrados!!! _ Dizia o cacique gargalhando sadicamente, como se toda a sua sanidade não existisse mais.

       A gargalhada cessou quando sua cabeça rolou próxima a seu corpo. Fiquei completamente arrepiado, pois naquele mesmo momento o clima esfriou drasticamente e estávamos com uma terrível sensação de estarmos sendo observados.


    Naquela noite tudo começou, a maldição do cacique estava perto de se concretizar. Um dos lenhadores voltava correndo da mata gritando:

        _ EU VI ELE!!! ELE EXISTE!!! Vamos embora daqui.

      _ Então como ele era? _ Perguntei em tom sarcástico, totalmente descrente de seu relato.

   _ Ele parecia um menino com cabelo vermelho. _ Respondeu o homem tentando controlar seu desespero.
       
     _ Depois disso você acordou e descobriu que estava dormindo entre as árvores? _ Perguntei rindo da situação.

        _ Não imbecil. Eu estou falando sério! _ Respondeu ele.

       _ Do que você me chamou? Saiba que eu não estou aqui de brincadeira, ou você esqueceu que estamos aqui ilegalmente? Você por acaso quer passar o resto de sua vida na prisão? _ Disse a ele, furioso com sua atitude.
   
       _ Prefiro a prisão a ficar preso aqui para sempre com aquele demônio. _ Disse ele começando a arrumar suas coisas.

      _ Você não pode simplesmente ir embora. Eu sou o único aqui que dá ordens e você vai me obedecer. _ Disse a ele pegando suas coisas e jogando no chão.

        _ Não preciso da sua ajuda para sair desta floresta, vou usar o GPS do meu celular. _ Disse ele tirando o celular do bolso.

      _ Não vai mais! _ Respondi jogando seu celular no chão, vendo-o despedaçar.

      _ Alguém ainda pode me emprestar o celular. _ Disse ele olhando para todos ao redor, que com a discussão pararam o que estavam fazendo.

     _ Boa ideia!!! Por que você não pede então? _ Disse a ele em tom sarcástico, pois já sabia a resposta dos outros.

      _ Eu não vou te emprestar meu celular, ninguém aqui vai. Você pode muito bem denunciar o que estamos fazendo aqui. _ Respondeu Marcos, falando por todos ali presentes.

    _ Eu não vou ficar aqui para morrer. Encontrarei o caminho por conta própria. _ Disse ele pegando suas coisas e sumindo entre as árvores.

       _ COVARDE! _ Gritei para que ele ouvisse mesmo tão longe.

    Mal sabia eu o erro que estava cometendo ficando naquele lugar. Novamente senti um calafrio percorrendo minha espinha e pude observar uma estranha movimentação na mata próxima à direção que Vinicius partiu.

        Nos dias seguintes mais trabalhadores se queixaram da aparição de um menino de cabelos vermelhos em meio às árvores, em momento algum acreditei que realmente poderia ser o Curupira, mas com tantos relatos decidi averiguar a hipótese de que realmente teria alguém na floresta nos observando enquanto derrubávamos mais árvores.

     Na tarde daquele dia fomos mais para o interior da floresta, em uma região que ninguém havia estado em busca desse ser que nos “assombrava”.


      _ Procurem por qualquer coisa suspeita, pegadas roupas ou qualquer vestígio que um garoto pode deixar. _ Eu disse sem imaginar que pudéssemos realmente encontrar algo que prove sua existência.

   Entretanto um deles encontrou pegadas, elas eram pequenas e havia sido feitas por pés descalços. Decidimos segui-las até encontrarmos seu legítimo dono.

      Após meia hora de caminhada conseguimos chegar a sua origem embaixo da sombra de uma árvore. Procuramos por toda parte esse tal de Curupira, mas não encontramos, nem mesmo no alto das árvores.

       Voltamos para o acampamento agora assustados com as pegadas que vimos dentro da floresta. Ficamos ainda mais assustados quando vimos que as mesmas pegadas estavam espalhadas por todo lugar.

        _ Mas o que houve aqui? _ Perguntei assustado antes que um forte cheiro podre tirasse meu foco da bagunça e visse o que estava logo atrás do acampamento.

        Ao lado da minha barraca estava a cabeça decepada de Vinicius com o machado enfincado eu sua testa, em meio a todo aquele sangue estava escrito na terra:

            “Ele tentou avisar, mas agora é tarde”.


         Completamente aterrorizado com a cena eu disse para que todos arrumassem suas coisas o mais rápido possível para que eles fossem embora antes mesmo que anoitecesse.

       Todos obedeceram e logo partiram do local, deixando até mesmo parte do equipamento para trás pela pressa. Todavia em um trecho da estrada havia uma enorme árvore caída que impedia a passagem dos carros, o que os obrigou a prosseguir caminhando em meio à floresta.

        _ Se formos caminhando por esta estrada chegaremos ao fim dela apenas pela manha, se cortarmos caminho pela floresta podemos chegar antes de escurecer. _ Disse Marcos.


        _ Nem pensar eu entro nessa mata com aquela criatura atrás de nós. _ Respondi vendo todos seguindo Marcos entre as árvores.

    Decidi então segui-los para não continuar a viagem sozinho, lembrando o que havia acontecido com Vinicius. Porém algo estava errado, não importava o quanto caminhávamos parecíamos sempre voltar para a mesma árvore que marcamos com um canivete depois da terceira vez que passamos por ela.


       _ Eu desisto de continuar pela floresta, vou voltar para a estrada. _ Eu disse a Marcos que agora concordava que teria sido melhor continuar pela estrada.

       Todos passaram a me seguir no caminho de volta para a estrada, mas nunca conseguimos encontra-la novamente, continuamos voltando para a mesma árvore.

    Nesse momento nem mesmo o GPS sabia em qual direção seguir, foi quando ouvimos uma risada baixa vinda de trás de uma árvore.

        _ Quem está ai? _ Perguntei quase gaguejando.

       Ele saiu de trás daquela árvore e enfim pude vê-lo com meus próprios olhos. Ele possuía a altura de uma criança, cabelo vermelho e os pés eram virados para trás, o que explica o porquê não conseguimos encontra-lo antes. Não estávamos o procurando no fim de sua trilha, mas no começo.

       O Curupira não disse nenhuma palavra, mas antes que eu pudesse pensar em correr ele pulou em cima de Marcos e pegou o machado que estava em suas mãos.

   Minhas pernas pareciam paralisadas enquanto presenciava aquela cena, com uma voracidade o Curupira esquartejava Marcos, membro a membro. Os gritos de agonia só sessaram quando o machado cortou sua cabeça, assim como ele fez com Vinicius.

     Terminando o que havia feito com Marcos aquele demônio olhou diretamente em meus olhos, seus olhos eram negros como a noite, ele sorriu e correu atrás dos outros que já haviam se espalhado pela mata.

      Minhas pernas finalmente decidiram me obedecer e comecei a correr para qualquer direção longe dele, corri o mais rápido que pude, mas a cada quilômetro que percorria eu encontrava mais corpos e membros decepados espalhados pelo chão.

        Naquele momento todo o chão estava pintado com o vermelho do sangue das vítimas dele. Eu entrei em pânico quando vi o último dos corpos completamente mutilado, o que indicava que eu era o único sobrevivente.

       Certamente ele me encontrará e me matará, posso ouvir o jeito que o mato se move, parece que ele está perto, não posso deixar que esta história seja esquecida.

    Dias depois a polícia encontra apenas a cabeça de Gabriel, em meio ao seu sangue estava mergulhado seu celular já sem bateria, porém ele foi levado para ajudar na investigação do caso.

    Depois de carregado o perito do caso encontra uma mensagem de texto que não chegou a ser enviada, de acordo com a investigação o horário da mensagem coincide com a hora da morte de Gabriel. Na mensagem dizia:

     “Ele está atrás de mim. Não tenho muito tempo, ele vai me matar assim como fez com todos os outros. Tenho que fazer esta mensagem chegar às autoridades para dizer que a lenda do Curupira é real. No entanto a história real é muito mais macabra, na vida real a única coisa que realmente importa para ele é ter sua cabeça como um troféu. Ele me encontrou, ele está sorrindo para mim enquanto se aproxima. Ele vai...”

    A mensagem terminava sem Gabriel ser capaz de terminar o que escrevia, enquanto aos outros permanecem desaparecidos, a única coisa que a polícia encontrou antes que arquivassem o caso foi o machado ensanguentado embaixo de uma árvore que estava marcada por cortes de canivete, junto a uma trilha de pegadas que parecia vir do meio da floresta e terminava no local.


Sunday, August 12, 2018

Mente de um estuprador


            Alguém já parou para pensar o que se passa na mente de um estuprador? O que o motiva a cometer esses crimes horríveis? Infelizmente descobri isto da pior maneira possível por causa da minha filha.

            Ela não foi cuidadosa ao usar um desses aplicativos de relacionamento. Eu ainda tentei avisá-la que era algo perigoso, já que nunca se sabe quem pode estar respondendo suas mensagens...

            _ Filha, o que é isto no seu celular? _ Perguntei vendo o aplicativo.

            _ Não é nada, apenas estou a fim de conhecer pessoas novas. _ Ela me respondeu tirando seu celular da minha mão.

            _ Apenas me prometa que você irá tomar cuidado. _ Eu falei preocupado, como qualquer pai ficaria.

            Ela concordou, no entanto não sabia que ela já havia marcado um encontro com um rapaz que ela conhecia apenas por mensagens.

            _ Eu vou na casa da Érica. Vou dormir lá esta noite. _ Disse ela se despedindo.

            _ Podia ter avisado antes, eu já preparei o jantar. _ Eu disse a ela querendo que ela ficasse.

            _ Eu vou jantar lá, nos vemos amanhã. _ Disse ela saindo com pressa pela porta enquanto seu celular acabava de receber novas mensagens.

            Érica era sua amiga de infância e eu sabia que não teria com o que me preocupar. Entretanto, em meio a madrugada, ouço a porta de casa se abrindo e vejo pela janela do quarto um carro saindo em alta velocidade.

            _ Filha! O que houve? _ Perguntei vendo ela jogada no chão com suas roupas rasgadas e aparentemente drogada.

            _ Pai, me desculpe, eu devia ter te escutado. _ Dizia ela enquanto chorava.

            _ Me conta exatamente o que aconteceu. _ Eu disse antes que ela vomitasse em mim e perdesse a consciência.

            Minha esposa chamou a polícia imediatamente e ela chegou em poucos minutos, mas eu sabia que era tarde e prometi a mim mesmo que iria encontrá-lo antes para me vingar.

            Eu passei a investigar minuciosamente as mensagens dele com minha filha. Ele agora sabia onde morávamos e sabia que a polícia estava atrás dele, além disso, como já era de se esperar, ele possuía um perfil falso no aplicativo, o que dificultava ainda mais as investigações.

            _ O que o senhor descobrir sobre o caso pode contar à polícia, assim encontraremos o estuprador mais rápido. _ Disse o delegado.

            _ Pode deixar que se eu descobrir algo você será o primeiro a saber. _ Eu disse fingindo colaborar com a investigação.

            Voltando para casa, eu cobrei da minha filha toda a história do que aconteceu naquela noite e ela me disse que não estava indo para a casa da Erica, mas sim para um encontro com esse rapaz.

            De acordo com ela, ele era um rapaz educado, atencioso e que apenas queria a conhecer melhor. Esse perfil psicológico era compatível com o das mensagens que ele respondia.

            Depois que ela saiu de casa eles se encontraram em um restaurante próximo, onde ele contou falsas histórias de sua vida, dizendo que ele era um estudante de medicina, mas sonhava em ser psiquiatra, assim como minha filha.

            Mesmo sendo mentira ainda guardei isso em minha mente, eu sabia que isso poderia me ajudar a encontrá-lo. Após o jantar eles foram caminhar pelas ruas do centro da cidade.

            _ Hoje o céu está tão estrelado. _ Disse ele tentando ser romântico.

            _ Faz muito tempo que eu não vejo tantas estrelas, ainda mais com um luar desse. _ Disse ela andando abraçada com ele.

            _ Se você gosta disso eu sei onde podemos ir, vai ser romântico. _ Disse ele a manipulando para levá-la onde ele queria.

            _ Onde fica esse lugar? _ Ela perguntou.

            _ É uma surpresa, mas prometo que se você for jamais irá esquecer. _ Disse ele sendo irônico de certa forma sem que ela percebesse.

            Eles entraram no carro e ele a levou para a saída da cidade, sem qualquer iluminação além da luz da Lua e das estrelas.

            _ Eu te disse que este lugar era lindo! _ Disse ele descendo do carro.

            _ Nossa!!! Eu nunca vi isso antes!! Eu sei que soa bem clichê, mas amei esta vista. _ Disse ela sem acreditar na beleza do céu naquela noite.

            _ Eu sei que as pessoas hoje em dia não ligam mais para o romance, por isso escolhi você. Quero que sua noite seja perfeita. _ Disse ele a beijando.

            Neste momento, ela estava completamente entregue nas mãos daquele monstro enquanto eu a ouvindo contar não parava de me perguntar por que alguém como ele faria algo tão terrível.

            O encontro começou a mudar quando ele pegou uma garrafa de vinho que estava no carro e começou a tomar com ela.

            _ Eu não posso beber. _ Disse ela rindo.

            _ Qual é o problema? _ Perguntou ele enchendo sua taça.

            _ Eu tenho só 16 anos, nunca tomei nada assim, muito menos vinho. _ Disse ela recusando a bebida.

            _ Este é um vinho francês, bem caro. _ Disse ele sorrindo e saboreando sua bebida.

            _ Você só comprou essa garrafa para me impressionar? _ Disse ela rindo da situação e o deixando sem graça.

            _ Digamos que sim, então eu gostaria muito que você provasse. _ Disse ele a convencendo de tomar um pouco.

            _ É bom, mas já tomei coisas melhores. _ Disse ela tomando um gole da bebida.

            _ Espera, faltou uma coisa, deixe-me colocar gelo na sua taça, talvez você goste mais assim. _ Disse ele abrindo uma caixa térmica que estava no porta-malas do carro.

            _ Você pensou em tudo mesmo. _ Disse ela sorrindo e abraçando-o.

            Ele colocou o gelo na bebida dela e eles continuaram conversando por mais alguns minutos.

            _ Meu gelo já está quase acabando, coloca mais, assim ficou muito bom. _ Disse ela enquanto enchia mais uma taça de vinho.

            _ Vai com calma mocinha, deixa um pouco para mim também. _ Disse ele pegando mais gelo para ela.

            Com o passar do tempo, ela começou a se sentir meio sonolenta, foi quando ele começou a seduzi-la para se deitar com ele no banco de trás do carro.

            _ Eu não quero, acho melhor deixarmos para outro dia. _ Disse ela se recusando explicitamente.

            _ Vamos, qual é o problema? Não está romântico o suficiente? O que mais eu preciso fazer para você aceitar. _ Disse ele agarrando-a pelos braços.

            _ Eu não estou pronta, nunca fiz isto antes, não quero que minha primeira vez seja com alguém me obrigando desse jeito. _ Ela ainda tentou argumentar antes que seu corpo começasse a perder a força e ela adormecesse.

            _ Você vai transar comigo querendo ou não, nem que para isso tenha que ser a força. _ Foi a última coisa que ela o ouviu dizer antes de perder a consciência.

            Quando ela acordou ele estava em cima de seu corpo completamente nu e abusando-a. Ela tentou gritar por ajuda, mas eles estavam a sós em meio a escuridão da noite, exatamente como ele queria.

            Minha filha me disse como o rosto dele estava transparecendo um enorme prazer em estuprá-la, mas a única coisa que ela pôde fazer foi aguentar a dor e o nojo enquanto ele violava seu corpo sem seu consentimento.

            Meu estômago revirou e quase vomitei ao ouvir essas palavras de minha filha, principalmente quando ela disse que parecia que suas lágrimas apenas aumentavam o prazer do estuprador.

            _ Ele vai pagar pelo que fez. Isto eu te prometo!!! _ Eu disse engolindo meu próprio vômito e deixando o ódio me consumir.

            Todavia, ainda existia uma pergunta sem resposta: como ele sabia onde morávamos? Ela me disse que não havia contado a ele, nem mesmo por mensagens e eu tive a certeza quando li todas, não tinha como ele saber.

            Havia tantas possibilidades de quem poderia ser, mas foi quando meu filho mais velho veio falar comigo que descobri quem deveria ter sido.

            _ Pai, você lembra-se do Paulo? _ Meu filho perguntou sem imaginar o que passava em minha mente.

            _ Lembro sim filho, seu amigo de infância, mas o que houve com ele? Nunca mais o vi por aqui. _ Eu perguntei encaixando as últimas peças do quebra-cabeça.

            _ Depois que entramos na faculdade, nós nunca mais nos falamos, mas esta semana eu o encontrei pelos corredores da faculdade e chamei-o para vir aqui em casa. _ Disse ele feliz por reencontrar seu velho amigo.

            _ Faz tantos anos que não o vejo que ele deve estar diferente. _ Eu disse fingindo estar contente.

            _ Ele mudou muito, acho que você e a Ana nem vão reconhecê-lo quando ele chegar. _ Disse ele sanando minha última dúvida.

            Agora eu tinha a certeza de que foi ele que estuprou Ana e vou o fazer pagar por desgraçar a vida dela que passou a fazer tratamento para se recuperar do trauma.

            Durante o jantar, meu plano que havia sido minuciosamente arquitetado já estava sendo executado. Minha esposa, meus filhos e Paulo se deliciaram com o suco de laranja que preparei para sua tão esperada visita.

            Quando Paulo recobrou a consciência estava amarrado na cadeira, ele sabia que eu havia descoberto seu crime, mas o que ele não esperava era que eu não ligaria para a polícia.

            _ Parabéns! Você é mais esperto do que eu esperava. _ Disse ele gargalhando.

            _ Você não faz ideia do que te aguarda. _ Eu disse indo em direção à garagem.

            _ Deixe-me adivinhar. Você vai ligar para a polícia e mandar me prender, na esperança que eu passe o resto da vida na prisão? _ Ele perguntou debochando antes que ele visse o que estava em minhas mãos.

            _ Há muitos anos os médicos usavam uma medida extrema para curar certos tipos de loucura, como a depressão severa, a esquizofrenia e também chegou a ser usada para tratar crianças mal comportadas como você. _ Eu disse mostrando calmamente o picador de gelo e o martelo.

            _ O que você vai fazer com isso? _ Ele perguntou assustado.

            _ Você é um estuprador, atualmente não existe um tratamento eficaz para doentes como você, então eu mesmo farei uma lobotomia em você. _ Eu respondi erguendo sua cabeça.

            _ Você é um psicopata, quando eu sair daqui eu vou te matar!!! SOCORRO! _ Ele dizia e gritava pensando que alguém poderia salvá-lo.

            _ Você não parou quando minha filha implorou. Eu também não vou parar! Seu sofrimento será o meu prazer. _ Eu respondi enquanto Paulo entrava em completo desespero.

            Enquanto ele se debatia e gritava, eu coloquei o picador de gelo em seu olho e comecei a martelar até que ele atingisse o seu cérebro. Neste momento era nitidamente visível o horror nos olhos de Paulo presenciando aquela cena.

            _ Quanto mais você gritar, mais fortes serão as marteladas, seu merda. _ Eu dizia entre minhas gargalhadas sentindo o doce prazer da vingança.

            Chegou um momento que Paulo simplesmente parou de gritar e se debater ele apenas salivava muito e possuía um olhar distante, como se não tivesse restado um pingo de consciência nele.

            _ Paulo? _ Eu perguntei imaginando que estava morto.

            Eu retirei o picador de gelo de dentro do seu olho e ele levantou a cabeça dizendo frases sem sentido. Então percebi o que eu tinha acabado de fazer.

            Paulo perdeu completamente sua sanidade, ficando com sequelas pelo resto da vida e eu, finalmente, me sentia vingado. Sei que minha família depois que acordar jamais irá me perdoar e a polícia logo irá chegar.

            Ainda não descobri como funciona a mente de um estuprador, mas hoje eu sei exatamente como funciona a de um psicopata. Jamais desperte a ira de um de nós, nunca se sabe até onde somos capazes de chegar por vingança.

Demônio da Depressão capítulo 4: Amor de Mãe

    _ Filha? Onde você está? _ Dona Rosa perguntava enquanto me procurava pela casa.     Chegando na cozinha ela encontra sobre a mesa uma...